Resgate: 9 de julho de 2025
Falecimento: 16 de desembro de 2025
Idade aproximada: 44 anos
Resgate: 9 de julho de 2025
Falecimento: 16 de desembro de 2025
Idade aproximada: 44 anos
Todos que conheceram Kenya logo perceberam que ela tinha um espírito contagiante, com seus comportamentos expressivos e vocalizações brincalhonas. Quando chegou ao Santuário, trouxe consigo uma energia enorme e entusiasmo por tudo o que podia ver e ouvir. Como era a segunda elefanta-africana do Santuário de Elefantes Brasil, pôde se juntar a Pupy, que também havia chegado ao Santuário alguns meses antes. A relação entre as duas levou algum tempo para se desenvolver, pois Pupy inicialmente se mostrava um pouco hesitante perto de Kenya. Mas, com o tempo, a relação floresceu e se transformou em um vínculo de afeto e respeito mútuo.
Kenya foi a última elefanta mantida em cativeiro na Argentina e, ao cruzar a fronteira para o Brasil, pôs fim a centenas de anos de cativeiro de elefantes-asiáticos e africanos no país. Ela foi — e continua sendo — um farol que mostra como um indivíduo pode reencontrar sua verdadeira essência, mesmo após anos de isolamento.

Durante décadas, Kenya viveu em um recinto árido e empoeirado, mas sua luz interior ainda conseguia brilhar, permitindo que víssemos um pouco da elefanta que fomos conhecendo melhor ao longo das semanas e dos meses.
Ela parecia encontrar encanto nos pequenos momentos no Santuário, empolgando-se com coisas que muitos consideram corriqueiras, como árvores, capim e água fresca. Quase imediatamente, mostrou que adorava o lamaçal e podia passar horas espirrando água e se cobrindo com a característica lama vermelha do habitat dos elefantes-africanos.
Kenya enfrentou diversos desafios com muita coragem. As quatro patas apresentavam crescimento excessivo e grave das unhas, das almofadas plantares e das cutículas. Ela também tinha osteomielite, diagnosticada por meio de radiografias, uma condição que pode ser fatal em elefantes. Além disso, seu corpo estava coberto por grossas camadas de pele morta, acumuladas ao longo dos anos pela falta de banhos adequados e de superfícies nas quais pudesse se esfregar para esfoliar a pele.
Mesmo nos dias em que demonstrava desconforto, Kenya colaborava muito bem com os tratamentos e com os tratadores, com quem desenvolveu uma relação profunda de confiança. Embora os humanos não substituam outros elefantes, Kenya frequentemente demonstrava querer carinho, que oferecíamos quando ela parecia pedir.
Sua partida aconteceu após alguns dias com problemas respiratórios, mas, mesmo durante esse período difícil, ela foi gentil e colaborativa com a equipe de tratadores, como se soubesse que tudo o que faziam era para ajudá-la. Foi uma princesa perfeita até o fim.
Nosso tempo com a elefanta que Scott apelidou de “dragãozão”, por causa de suas vocalizações incríveis e brincalhonas e de sua personalidade marcante, foi curto demais. Desejávamos que ela tivesse muitos anos de vida tranquila e de convivência com outros elefantes. Mas Kenya amou e foi amada, e nos lembraremos para sempre de sua alma doce.

O Santuário de Elefantes Brasil (SEB) é uma organização sem fins lucrativos que ajuda a transformar as vidas e o futuro dos elefantes cativos da América do Sul, devolvendo a eles a liberdade de poder ser quem querem e merecem ser – elefantes.