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Histórico de Mara

By seb | blog, elefantes, elefantes asiáticos | 0 comment | 5 março, 2026 | 4

À medida que continuamos a honrar as jornadas das elefantas antes de chegarem ao santuário, queremos compartilhar um pouco do histórico de saúde de Mara, assim como já fizemos com algumas das outras meninas.

Mara tem um passado complexo que a impactou tanto mental quanto fisicamente, e ela ainda precisa cuidar desses dois aspectos da sua saúde até hoje. A vida no santuário teve um grande impacto em Mara e lhe deu a oportunidade de olhar para dentro de si de uma forma que talvez nunca tivesse sido possível antes.

Por causa de alguns episódios de agressividade no passado, Mara ficava diante de uma parede de treinamento no ecoparque de Buenos Aires, através da qual quase não era possível vê-la. As barras eram tão próximas umas das outras que ela não conseguia sequer passar a tromba entre elas. Embora consideremos saudável haver uma barreira entre humanos e elefantes, naquele caso era algo extremo e, ainda que seus tratadores estivessem tentando ao máximo se conectar com Mara, a situação tornava isso praticamente impossível.

Ela apresentava estereotipias com frequência, balançando o corpo para frente e para trás em movimentos curtos, em vez do balanço lateral mais comum. Devido às limitações para trabalhar com Mara, a equipe do ecoparque tinha dificuldade até mesmo para dar banho nela. Conseguia molhar um pouco suas costas com a mangueira, mas, assim como Bambi, nos disseram que ela não gostava de água.

Quando finalmente conseguimos fazer um exame no santuário, vimos que a parte inferior do seu ventre e a região entre as patas traseiras estavam cobertas por camadas de pele morta e em decomposição, de cor escura. De forma bastante expressiva, ela recuou até a cerca (sem que pedíssemos) para nos mostrar o que estava acontecendo e permitiu que lavássemos e limpássemos a região por baixo, além de aplicarmos alguns sprays medicinais para ajudar a remover aquele tecido.

Fisicamente, ainda no ecoparque, Mara tinha problemas na almofada e na pata traseira esquerda. Seus tratadores trabalhavam regularmente no tratamento, mas o problema simplesmente não se resolvia. Questões crônicas nos pés são frequentemente um grande desafio em elefantes em cativeiro e podem levar muito tempo para cicatrizar, especialmente devido às contusões e danos repetidos causados pela pressão anormal de permanecer em superfícies duras e artificiais.

Com o tempo, já no santuário, com o ambiente natural e tratamentos regulares, a almofada da pata ficou ótima e esse problema foi resolvido.

Muitos de vocês talvez tenham notado que um de seus “punhos” fica inclinado para o lado. É provável que ele tenha sido fraturado quando Mara era jovem, e ela aprendeu a ajustar sua forma de caminhar para compensar essa diferença na estrutura óssea. Esse caminhar desigual e a postura resultante quase certamente contribuíram para o surgimento precoce de artrite e algum desconforto leve, embora ela não demonstre sinais evidentes de dor intensa.

Quando chegou ao santuário, os bolos fecais de Mara eram muito pequenos, e seus tratadores diziam que sempre os haviam visto com aquele formato e tamanho. Não era algo normal quando comparado a elefantes saudáveis, então sabíamos que seria necessária uma revisão nutricional completa e alguns exames para ajustar sua dieta.

Meses depois, Mara apresentou problemas gastrointestinais graves. Diversos colegas veterinários ao redor do mundo nos ajudaram a investigar e tentar diagnosticar a causa. O consenso geral, após observarmos uma saliência em seu abdômen quando ela estava deitada, é que havia uma estenose ou massa abdominal que impedia a passagem completa do alimento pelos intestinos.

Hoje ela se alimenta bem, mas segue uma dieta diferente da das outras elefantas. Monitoramos constantemente sua ingestão de alimento para perceber rapidamente qualquer pequena mudança que possa indicar um problema.

Mara precisava de um novo ambiente que a ajudasse a acalmar sua energia, e o santuário lhe deu a chance de se sentir menos ameaçada. Ela havia sido mantida em diversos circos, sendo vendida de um para outro devido à sua tendência de se afirmar fisicamente.

Quando chegou ao ecoparque, era hesitante e vigilante, sempre procurando momentos de vulnerabilidade em quem pudesse lhe fazer mal. Seu estado mental parecia frágil, apesar da aparência dura. Durante alguns anos, ela compartilhou espaço com Pupy e Kuky, mas após um confronto, as elefantas africanas foram separadas de Mara. Isso significava que elas não podiam estar do lado de fora ao mesmo tempo; o turno de trabalho humano de oito horas foi dividido, com as elefantas se revezando no acesso ao espaço externo para mantê-las separadas. Esse confinamento extremo em ambientes internos foi muito desafiador para sua capacidade de processar emocionalmente as situações.

Na verdade, grande parte do que Mara precisou enfrentar estava relacionado à sua saúde mental e à forma como se adaptava ao novo ambiente. Ela não apenas precisava descomprimir, mas também se estabelecer, baixar a guarda e, com o tempo, confiar em nós — entendendo que podia conduzir seu dia de maneira tranquila, enquanto nós estaríamos ali apenas para ajudar.

Ela ainda pode ser vigilante em alguns momentos, mas não demonstra mais energia agressiva. Às vezes ainda tem dificuldade em se integrar plenamente ao grupo de elefantas, mas construiu uma relação linda com Rana — algo que só havia experimentado décadas atrás, quando ainda era jovem.

histórico, mara

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O SEB

O Santuário de Elefantes Brasil (SEB) é uma organização sem fins lucrativos que ajuda a transformar as vidas e o futuro dos elefantes cativos da América do Sul, devolvendo a eles a liberdade de poder ser quem querem e merecem ser – elefantes.

 

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Algumas elefantas adoram palmeiras, enquanto outra Algumas elefantas adoram palmeiras, enquanto outras não são tão fãs assim. Bambi, por exemplo, gosta delas em qualquer fase de crescimento. Só não fica muito feliz quando Guille resolve dividir alguns bocados, já que também adora esse petisco. Maia prefere esperar até que as folhas estejam um pouco mais secas e crocantes. Cada uma tem seu gosto particular. Baby parece estar bem no meio desse espectro: come palmeiras de vez em quando, mas o que realmente tem gostado de fazer é atravessá-las e quebrá-las pelo caminho. Para os tratadores, isso acaba sendo uma ótima pista para saber exatamente por onde ela andou nas áreas mais arborizadas do habitat.

Além disso, temos encontrado cada vez mais árvores com pequenos galhos quebrados nas partes mais distantes dos recintos. Baby é tão curiosa que parece simplesmente passar por dentro ou por cima deles, assim como Guillermina e Pocha fizeram em seus primeiros dias no Santuário.

P.S.: Baby já encontrou algumas árvores que parecem perfeitas para coçar o corpo. Ela ainda não escolheu uma favorita, mas está experimentando várias delas enquanto ajuda a remover a pele morta. Este vídeo mostra muito bem Baby aproveitando uma boa coçada.
O dia 12 de agosto marca o Dia Mundial do Elefante O dia 12 de agosto marca o Dia Mundial do Elefante — uma data que celebra esses animais incríveis e reforça a urgência de protegê-los. Aqui no Santuário de Elefantes Brasil, essa missão é real todos os dias.

Além disso, o mês de agosto foi dedicado à conscientização sobre o elefante asiático por meio da iniciativa do programa SAFE (Saving Animals From Extinction), lançado em 2020. A campanha tem como
objetivo ampliar a visibilidade das ameaças enfrentadas por essa espécie e incentivar ações concretas de conservação.

Restam entre 20 e 35 mil elefantes asiáticos na natureza, espalhados por 13 países da Ásia. Classificados como espécie em perigo pela IUCN, sua população declinou mais de 50% nas últimas três gerações. A perda de habitat — impulsionada por desmatamento e expansão agrícola — é a maior ameaça, seguida pela caça furtiva e pelo comércio ilegal de vida selvagem.

Então, nesse Mês da Conscientização sobre o Elefante Asiático, convidamos você a fazer parte dessa história. Desenvolvemos uma estampa exclusiva e lançamos nosso moletom edição limitada. Criamos também uma campanha de arrecadação específica, onde fazendo uma doação simbólica, você garante recursos para o cuidado, a alimentação e o manejo especializado dos nossos elefantes. Cada presente é um gesto de carinho que se transforma em vida. Link nos stories e na bio!
Se você já se perguntou o que Bambi e Guille fazem Se você já se perguntou o que Bambi e Guille fazem quando Maia está em um daqueles cochilos mais demorados, talvez imagine que elas aproveitem para pastar e passear pelo habitat. E, na maior parte do tempo, é exatamente isso que acontece. Mas, nesta manhã, depois do café, enquanto Maia descansava tranquilamente na lagoa, Bambi decidiu convidar Guille para uma brincadeira.

No início do vídeo, Bambi está à direita, com a parte traseira voltada para a câmera. (Você pode identificar Guille pela cauda longa e bem peluda.) Em um gesto brincalhão, Bambi apoia a tromba sobre as costas de Guille. Guille parece não estar muito animada para uma disputa naquele momento, mas também demonstra querer permanecer por perto. Pouco depois, Bambi estica a tromba para tocar delicadamente o rosto de Guille, chegando até a colocá-la dentro de sua boca.

Depois de alguns minutos, Guille parece entrar na brincadeira e começa a recuar em direção ao rosto de Bambi — quase como uma criança provocando um irmão mais velho. Bambi volta a apoiar a tromba sobre as costas de Guille e a mantém ali enquanto Guille continua dando pequenos passos para trás.

Foi uma interação divertida e muito carinhosa. Guille parece perceber exatamente até onde pode ir na brincadeira, participando na medida certa para que Bambi pudesse gastar um pouco de energia. A dinâmica entre essas três elefantas é muito especial. As amizades que construíram têm muitas camadas e deixam claro o quanto elas se importam umas com as outras.
No Sorriso de Domingo desta semana, Baby nos mostr No Sorriso de Domingo desta semana, Baby nos mostra mais uma vez o quanto adora terra. Desde o seu primeiro dia no Santuário, ela deixou claro que esse é um dos seus elementos favoritos. Seja jogando terra sobre o próprio corpo, deitando sobre ela ou rolando de um lado para o outro, Baby parece aproveitar cada segundo da sensação da terra macia.

De tempos em tempos, renovamos os montes de terra dentro do galpão para que ela possa se deitar, se esfregar e conseguir a esfoliação natural de que sua pele tanto precisa. E, como vocês podem ver, ela já está adquirindo aquele característico tom avermelhado da terra do Santuário.

Como Baby parece realmente gostar de se cobrir de terra, criamos também alguns novos montes do lado de fora do galpão. Assim, ela pode escolher onde quer tomar seu banho de terra, descansar, tirar um cochilo ou simplesmente se apoiar. Sempre que necessário, renovamos esses montes com o auxílio da retroescavadeira, mantendo Baby em outro recinto durante o trabalho, para garantir sua segurança.

Até agora, ela tem aproveitado os montes externos tanto quanto os que ficam dentro do galpão. E é muito bonito vê-la deitada ali, completamente à vontade, mostrando que está cada vez mais confortável para relaxar e se sentir segura em seu novo lar.
Com a chegada de Baby, a 2ª moradora mais jovem do Com a chegada de Baby, a 2ª moradora mais jovem do SEB, recebemos perguntas sobre a possibilidade de ela ter um filhote no futuro e se as elefantas do Santuário ainda seriam capazes de se reproduzir. Entendemos essa curiosidade e sabemos que a ideia de ver as elefantas se tornando mães pode parecer encantadora. Mas acreditamos que é importante explicar por que elas nunca serão colocadas para reprodução.

A gestação de um filhote de elefante dura cerca de 22 meses — a mais longa entre todos os mamíferos. A exigência física é enorme, mesmo para uma elefanta jovem e saudável.

Na natureza, a primeira gestação costuma ocorrer entre os 14 e 15 anos nas elefantas africanas e um pouco mais tarde nas asiáticas. A capacidade reprodutiva diminui gradualmente com a idade e, no Santuário, a maioria das elefantas é geriátrica, com mais de 49 anos. Assim, com exceção de Baby e Guille, nenhuma delas está em faixa etária adequada para levar uma gestação até o fim.

Além da idade, existe um fator ainda mais importante. As marcas físicas e emocionais deixadas por décadas de cativeiro vão muito além do que podemos compreender. O maior presente que podemos oferecer é a oportunidade de se recuperar física e emocionalmente. Submetê-las à reprodução ou a uma gestação de 22 meses não seria apropriado para sua idade, condição física e nem faz parte da filosofia do Santuário. Além disso, a Global Federation of Animal Sanctuaries (GFAS), organização responsável por nossa acreditação, estabelece que verdadeiros santuários não realizam reprodução intencional de animais.

Embora tenhamos o privilégio de acompanhar diariamente a recuperação dessas elefantas, o Santuário ainda é uma forma de cativeiro. É, sem dúvida, o melhor que o cativeiro pode oferecer, mas a conservação da espécie precisa acontecer em seu habitat natural. Trazer novos filhotes para viver em um santuário não lhes proporcionaria a vida que merecem.

Nosso compromisso é oferecer a esses elefantes a oportunidade de viver o restante de suas vidas voltados para si mesmos, para sua recuperação e para os laços que constroem uns com os outros. É a isso que continuaremos dedicando todos os nossos dias.
A equipe de tratadores de Baby percebeu algo inter A equipe de tratadores de Baby percebeu algo interessante hoje: ela apareceu no galpão com lama argilosa do lago espalhada pelas patas e pelo rosto. É fácil saber que essa lama veio do lago, porque, neste momento, a margem ainda está acinzentada, e não com o tom avermelhado típico dos outros lagos do Santuário. Conforme Baby for entrando na água e misturando a terra ao fundo do lago, a argila vai se depositar e a camada superficial passará a adquirir a coloração avermelhada característica.

Tudo indica que Baby pode ter entrado um pouquinho no lago — mesmo que só até uma pequena profundidade — e se borrifado com água. Ainda não conseguimos vê-la fazendo isso, nem pessoalmente nem pelas câmeras de monitoramento, mas os sinais mostram que ela continua, com coragem, ampliando seus horizontes e explorando novas experiências.

P.S.: Para quem está curioso, Baby tinha uma 'piscina' em seu recinto no parque de diversões, mas quase nunca a utilizava. Agora, à medida que dá pequenos passos nessa nova vida no Santuário, talvez ela esteja redescobrindo atividades que antes não despertavam seu interesse.
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