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Histórico de Bambi

By seb | blog | 0 comment | 22 janeiro, 2026 | 0
https://elefantesbrasil.org.br/wp-content/uploads/2026/01/22_01_26_BambiColirioHoriz.mp4

 

Cada elefante do Santuário de Elefantes Brasil carrega sua própria história de como era a vida antes de chegar aqui. Nenhum desses passados é ideal, e todos eles enfrentaram traumas que, provavelmente, nem conseguimos compreender totalmente. Acolher um novo elefante no santuário traz muitos desafios — e um dos principais é a quase certeza de que ele chegará com a saúde comprometida. Infelizmente, todos os elefantes que chegaram ao SEB precisavam de algum grau de cura — física, mental e, muito provavelmente, emocional.

Bambi enfrentou desafios em diversas frentes: literalmente do topo da cabeça até a base de suas delicadas patas, além das inseguranças que certamente internalizou após uma relação conturbada com outro elefante.

Quando conhecemos a Bambi pela primeira vez, no Zoológico de Leme, ela havia sido confiscada de um circo por negligência e maus-tratos, mas ainda era rechonchuda e cheia de energia. O zoológico tinha um recinto razoável e uma tratadora que a adorava, mas a equipe reconhecia que não conseguia cuidar dela da forma que ela precisava. Naquela época, o santuário ainda não existia fisicamente, então Bambi foi transferida para o Zoológico de Ribeirão Preto, onde a reencontramos cinco anos depois.

Ela estava magra e retraída, e parecia temer Maison, a elefanta do recinto vizinho. Apresentava estereotipias constantemente e parecia carecer de autoconfiança, muitas vezes se escondendo no canto do espaço interno. *(Estereotipia é uma manifestação física de ansiedade ou estresse, expressa por meio de comportamentos repetitivos e autoapaziguadores, como balançar o corpo, mover a cabeça para frente e para trás ou caminhar em círculos.)

Não foi apresentada nenhuma documentação que comprovasse a realização de cuidados médicos ou com as patas. Havia apenas um parágrafo descrevendo um exame feito por um oftalmologista, que realizou uma sedação em pé no zoológico para avaliar a catarata já existente no olho esquerdo da Bambi — exame feito apenas após o início do processo judicial para retirá-la do local. Não recebemos mais nenhuma informação: nenhum resultado de exames de sangue ou fezes, nem registros de outros cuidados. Quando Bambi finalmente estava pronta para vir para o SEB, ela estava cerca de 680 quilos abaixo do peso ideal, e não tínhamos dados suficientes para saber se isso se devia a um problema físico, à dieta ou ao estresse causado pelas condições em que vivia. Tudo isso, somado às muitas lacunas em seu histórico médico, fazia com que ninguém soubesse exatamente o que enfrentaríamos juntos.

A falta de documentação fez com que tivéssemos que começar praticamente do zero na avaliação da saúde da Bambi. Além da catarata evidente, ela demonstrava desconforto, com camadas e mais camadas de pele morta acumuladas por todo o corpo, especialmente na testa. (O veterinário do zoológico garantiu que era apenas sujeira, embora tenha levado cerca de um ano para que isso fosse resolvido.) O zoológico insistia que Bambi não deveria ser transferida para o santuário porque seus dentes estavam excessivamente crescidos (provavelmente devido a uma dieta inadequada), mas sabíamos que o acesso ao pasto 24 horas por dia ajudaria a desgastá-los de forma natural — além de podermos alimentá-la manualmente, se necessário, até que os dentes se equilibrassem. Quanto às patas, era evidente que ela não recebia cuidados há muito tempo — se é que algum dia recebeu. Havia buracos nas unhas, almofadas e cutículas crescidas em excesso, o que poderia afetar sua forma de caminhar.

Semanas após sua chegada ao santuário, exames dos olhos da Bambi foram compartilhados com um oftalmologista veterinário dos Estados Unidos. Foi constatado que o olho esquerdo apresentava uma catarata madura e uma cicatriz na córnea, entre outros problemas. A catarata havia se deslocado para a frente do olho, ficando à frente da íris. Devido ao longo período em que o cristalino permaneceu deslocado dessa forma, passamos a monitorar atentamente sinais de dor, irritação ou infecção — como aumento da produção de lágrimas, fechamento parcial do olho e maior sensibilidade à luz. Naquela época, também ficou claro que Bambi tinha uma catarata imatura no olho direito, visível apenas sob determinadas condições de luz. Hoje, essa catarata já está plenamente aparente, o que significa que sua visão está se perdendo de forma significativa — possivelmente por completo, em breve.

As possíveis causas das cataratas incluem idade, exposição excessiva à radiação UV, deficiência de vitaminas e minerais na dieta, infecções oculares anteriores, traumas ou fatores genéticos. Nunca saberemos qual delas — ou qual combinação — foi responsável, mas sabemos que Maison, a elefanta que permaneceu no zoológico, hoje também sofre de catarata.

Como Bambi teve poucas experiências positivas de relacionamento com outros elefantes, o zoológico nos enviou um vídeo em que Maison a perseguia até a piscina do recinto, mostrando sinais claros de estresse quando ela não conseguia sair da água. Inicialmente, nosso foco foi apresentá-la e, se possível, integrá-la ao grupo maior de elefantes no santuário. No começo, ela teve dificuldade em aprender a ser uma elefanta calma, sem sobrecarregar suas novas companheiras de manada. De forma impressionante, quando Bambi encontrou a Mara, ela pareceu se acalmar e, ao mesmo tempo, se abrir. Ela reconheceu em Mara uma elefanta que parecia precisar de proteção (pouco depois dos problemas gastrointestinais da Mara), e Bambi assumiu esse papel. Embora essa amizade esteja em pausa hoje — e não saibamos se poderá mudar ou se desenvolver novamente no futuro —, ela foi um componente essencial no processo de construção de relações da Bambi.

Quando a dinâmica social se estabilizou e Bambi começou a ganhar peso rapidamente após receber uma dieta adequada, iniciamos o treinamento por reforço positivo para prepará-la para os cuidados com as patas e os olhos. Ela parou de apresentar estereotipias rapidamente — embora, ocasionalmente, esse comportamento reapareça em dias em que ela parece mais insegura devido à perda de visão. Suas companheiras mais próximas, Maia e Guille, estão sempre ao seu lado para confortá-la e oferecer estabilidade, o que parece ajudá-la a relaxar; Bambi sabe que não está sozinha.

O olho esquerdo da Bambi recebe colírios duas vezes ao dia, com o objetivo de proporcionar conforto e, se possível, retardar a progressão da catarata. Bambi não é uma boa candidata à cirurgia de catarata devido à sua idade e a condições médicas prévias. O tipo de catarata que ela apresenta se fragmenta com facilidade, e a cirurgia poderia, no fim das contas, piorar sua visão. Além disso, esse procedimento foi realizado em pouquíssimos elefantes até hoje.

Como muitas de suas companheiras, Bambi passou por transformações profundas nos últimos anos. Seu coração se abriu para novos vínculos, suas patas melhoraram enormemente e sua pele está macia e saudável — mesmo quando coberta por uma deliciosa camada de lama. Ela aprendeu a receber todas as avaliações necessárias e aguarda com entusiasmo os petiscos que ganha quando executa perfeitamente os comportamentos durante os tratamentos.

Embora Mara tenha ajudado Bambi a sair de sua concha no início, hoje Bambi se sente confiante o suficiente para tomar decisões com base em quem ela deseja ter por perto, agora que tem a possibilidade de escolher suas amizades. Alguns podem torcer por uma reconciliação — e não sabemos o que o futuro reserva —, mas a vida no santuário oferece à Bambi a oportunidade de fazer essas escolhas, algo essencial para o processo de cura.

Continuamos alimentando Bambi manualmente para garantir que ela veja todo o café da manhã e o jantar, e que suas companheiras não “belisquem” sua comida — especialmente considerando o quanto ela estava abaixo do peso quando chegou. Não foi uma jornada fácil, mas Bambi enfrenta seus desafios de saúde e suas inseguranças com uma coragem admirável.

bambi, histórico

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O SEB

O Santuário de Elefantes Brasil (SEB) é uma organização sem fins lucrativos que ajuda a transformar as vidas e o futuro dos elefantes cativos da América do Sul, devolvendo a eles a liberdade de poder ser quem querem e merecem ser – elefantes.

 

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elefantesbrasil

A maioria das elefantas do santuário chegou depois A maioria das elefantas do santuário chegou depois de viver por décadas sem acesso a árvores vivas. No mundo todo, elefantes geralmente são mantidos em recintos pequenos e estéreis, que não conseguem sustentar muita vegetação. Você pode ver árvores e arbustos que parecem estar dentro do recinto deles, mas uma observação mais atenta geralmente revela que a área verde fica atrás de muros e cercas, fora do alcance dos elefantes.

Quando os elefantes têm acesso a uma grande variedade de vegetação viva, eles conseguem expressar comportamentos naturais que estimulam suas mentes, nutrem seus corpos e promovem uma cura profunda. Em muitos dos nossos vídeos, você verá as elefantas do santuário interagindo com o mundo ao redor: se coçando nas árvores, forrageando em busca de alimento ou simplesmente se divertindo, brincando e se expressando.

Pode parecer algo pequeno, mas elefantes vivem em harmonia e equilíbrio com o mundo natural ao redor. Sem espaço e natureza, elefantes não conseguem ser quem nasceram para ser e não conseguem cuidar de suas mentes e corpos da forma que precisam.
Maia, Guillermina e Bambi têm passado boa parte do Maia, Guillermina e Bambi têm passado boa parte do tempo recentemente no Recinto 5, mas, em uma tarde em que Rana e Mara estavam nos recintos perto do galpão, demos às três elefantas a chance de ir para o Recinto 4, já que fazia algum tempo que elas não circulavam por aquele espaço — e elas aproveitaram. Quando Mara e Rana estavam prontas para voltar aos recintos maiores, seguiram pelo portão aberto para o Recinto 5, para variar um pouco.

Guille estava descansando à sombra de uma árvore atrás do anexo, meio por conta própria. As outras duas senhoras estavam perto do cocho de água, jogando água fresca em si mesmas e, no geral, fazendo aquela bagunça enlameada. Guille encontrou um pouco de feno no habitat e ficou fazendo idas e vindas para pegar algumas mordidas, levando-as para debaixo da sombra das árvores. Com o tempo, Maia caminhou até lá e se juntou a ela fora do sol, e então Bambi também seguiu naquela direção. Guille é conhecida por se aventurar sozinha e caminhar por conta própria quando está com vontade. Na maioria das vezes, ela vai ao encontro de Bambi e Maia quando as duas estão juntas. Foi encantador e doce ver as senhoras mais velhas procurando a amiga mais jovem, para variar.
Em uma manhã recente, Bambi, Maia e Guillermina vi Em uma manhã recente, Bambi, Maia e Guillermina vieram todas ao galpão na hora do café da manhã, e nós abrimos o espaço para que elas tivessem a chance de comer lá dentro em grupo. As meninas estavam cobertas de terra e muito brincalhonas, então imaginamos que tivessem passado pelo lamaçal. Às vezes, elas vocalizam com a equipe de tratadores pela manhã, mas normalmente ficam bem tranquilas e prontas para comer. Por isso, foi divertido vê-las tão cheias de energia e envolvidas umas com as outras.

Guillermina decidiu levar seu feno para perto de Bambi, que estava recebendo sua refeição a poucos passos dali. Os tratadores alimentam Bambi com parte da comida na mão, já que às vezes ela tem um pouco de dificuldade para identificar onde estão todas as suas frutas e verduras quando são colocadas no chão. Queremos garantir que ela coma cada pedacinho, então nos certificamos de que tudo fique perto de sua tromba enquanto ela se alimenta.

Bambi deve ter acordado especialmente atrevida porque, cada vez que a tratadora parava para pegar outro pedaço de comida, ela se inclinava e roubava uma mordida do feno de Guille. Considerando que ela geralmente está do outro lado de situações como essa, a ousadia de Bambi fez todos nós darmos uma boa risada.
Neste domingo, não estamos trazendo apenas um sorr Neste domingo, não estamos trazendo apenas um sorriso, mas também uma energia tranquila para a tarde. Mara (à frente) e Rana (atrás) estavam seguindo para o habitat quando as duas decidiram fazer uma pausa para pastar um pouco e relaxar bastante. A quietude delas reflete o conforto que sentem uma com a outra, assim como sua natureza relaxada e a proximidade entre elas. Há algo especial em ver elefantas simplesmente aproveitando a chuva, algo de que sentiremos falta quando a estação seca chegar. Até lá…
Recebemos algumas perguntas recentemente sobre a f Recebemos algumas perguntas recentemente sobre a forma como as elefantas do santuário usam a tromba para pegar ou sugar água. Na verdade, elefantes não conseguem beber água pelo nariz. Eles usam a tromba como um canudo para sugar a água e depois borrifá-la dentro da boca.

Um estudo do Georgia Institute of Technology descobriu que elefantes conseguem armazenar cerca de 5,5 litros de água na tromba de uma só vez. O estudo também mostrou que eles conseguem dilatar as narinas, deixando as paredes da tromba mais finas e o espaço interno maior, aumentando em 64% a quantidade de água que conseguem armazenar!
Quando compartilhamos vídeos das residentes do san Quando compartilhamos vídeos das residentes do santuário, muitas vezes recebemos perguntas sobre o modo como elas caminham, especialmente sobre Rana e Mara. Você talvez tenha notado que Mara tem uma lesão antiga e permanente no punho dianteiro direito, que afeta sua caminhada, e Rana tem um cotovelo fusionado por causa de uma lesão da infância, o que também torna seu andar bastante perceptível. No EleFact de hoje, queremos olhar um pouco mais de perto para os membros e o movimento dos elefantes.

Os membros de um elefante ficam posicionados diretamente sob o corpo, com os ossos empilhados uns sobre os outros para sustentar melhor seu peso. As articulações das patas dianteiras se dobram para trás, como os punhos dos humanos, o que é o oposto da maioria dos outros mamíferos quadrúpedes. As patas traseiras são um pouco mais longas que as dianteiras, mas os ombros altos fazem com que os membros da frente pareçam mais longos. As patas traseiras têm joelhos com patelas.

Seus membros, e seus corpos em geral, são feitos para se movimentar: sabemos que alguns elefantes caminham centenas de quilômetros em busca de alimento e água, e sua composição anatômica ajuda nisso. Os ossos dos membros de um elefante são longos e esponjosos, formados por pequenas peças de osso em formato de agulha, organizadas como um favo de mel (em vez de partes ocas que contêm medula óssea). Isso permite ossos mais fortes, ao mesmo tempo em que favorece a produção de células sanguíneas. Tanto os membros dianteiros quanto os traseiros conseguem sustentar o peso de um elefante, embora a parte da frente suporte 60% dele. Os ossos de um elefante são muito mais largos que os da maioria dos mamíferos, o que lhes dá uma área transversal mais espessa e os torna mais resistentes aos tipos de estresse que podem causar fraturas.

Quanto ao modo de caminhar, os elefantes têm apenas uma marcha, em comparação com os cavalos, que têm três. Embora os elefantes possam atingir velocidades máximas de 24 km/h, o que normalmente seria considerado um galope, eles não podem ser considerados corredores, porque seus quatro pés nunca deixam o chão ao mesmo tempo.
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