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Histórico de Guille

By seb | blog, elefantes, elefantes asiáticos | 0 comment | 19 março, 2026 | 4

Nas últimas semanas, temos compartilhado a história que descobrimos sobre todos as elefantas asiáticas antes ou no momento em que chegaram ao santuário, e você pode voltar e ler essas histórias sobre Maia, Bambi, Rana e Mara. Hoje, vamos focar na mais jovem do Santuário de Elefantes Brasil: Guillermina.

Felizmente, por conta da idade, ela apresentava menos problemas físicos crônicos do que os outros elefantes daqui. Guillermina não demonstrava muitas condições físicas evidentes, mas, quando chegou, suas patas não estavam em bom estado. Estavam com crescimento excessivo e  precisaram de bastante desgaste. Ao longo dos anos, ela teve alguns problemas com áreas mais sensíveis no centro das almofadas plantares e um dos dedos da pata dianteira direita apresentou uma pequena alteração, que hoje está praticamente resolvida — ao menos por enquanto.

No recinto do ecoparque, Guille e sua mãe, Pocha, tinham contato apenas com superfícies duras e artificiais e, nos anos antes de o local deixar de ser um zoológico, às vezes permaneciam sobre seus próprios dejetos. Por isso, não podemos prever se infecções mais profundas nas patas podem surgir no futuro, já que essas condições podem levar tempo para se manifestar.

A questão mais visivelmente evidente que Guille enfrentava era o peso. Ela estava claramente obesa, com a pele esticada ao limite para cobrir seu corpo arredondado. No ecoparque, a proporção da alimentação das duas elefantes era completamente inadequada: havia excesso de frutas e vegetais, o tipo de feno não era o ideal e não havia oferta de vegetação natural até começarmos a trabalhar com elas.

Guillermina era dominante em relação à mãe, o que fazia com que, às vezes, pegasse para si as partes mais doces da alimentação, deixando o restante para Pocha. É provável que, por isso, tenha consumido mais frutas açucaradas do que sua mãe.

No antigo recinto, Pocha e Guille estavam expostas a muitos germes e bactérias, e os problemas internos que isso pode causar nem sempre aparecem em exames de sangue de rotina — algo que ficou evidente quando recebemos os resultados da necropsia de Pocha. Os exames de sangue de Guille estão bons, e realizamos avaliações periódicas com todas as meninas como parte dos programas de cuidado. Assim como acontece com suas patas, não é possível prever quais doenças podem surgir ao longo do tempo em decorrência das condições de saúde inadequadas em que viveu por décadas.

Quando conhecemos Guillermina, fomos informados de que ela não apresentava comportamentos estereotipados. Na prática, ela apresentava sim — mas de uma forma diferente da mais comum em elefantes, como balançar o corpo repetidamente. No caso dela, o comportamento se manifestava ao caminhar em círculos ou em trajetos em forma de oito, repetidamente.

Esses comportamentos não desapareceram completamente quando chegou ao santuário, e ela ainda fazia pequenos círculos dentro do galpão. À medida que ela e Pocha passaram a se sentir mais confortáveis para sair e começaram a passar mais tempo nos recintos, Guille passou a fazer círculos maiores, com menos frequência, geralmente quando se sentia insegura. Depois, começou a percorrer todo o espaço dos recintos menores ou partes dos maiores. Sempre que surgia alguma insegurança, esse comportamento voltava.

De forma geral, o maior desafio enfrentado por Guille era comportamental. Pocha não tinha referências para oferecer à filha durante seu desenvolvimento, e acabou permitindo que ela fizesse o que quisesse. A relação entre as duas era profundamente desequilibrada, e era comum Guille chutar ou golpear a própria mãe. Seja quando Pocha tentava comer algo que Guille queria, quando entrava no espaço interno em momentos em que Guille não desejava, ou quando se aproximava das caixas de transporte nos primeiros contatos com elas, Guille reagia fisicamente — sem qualquer resposta por parte de Pocha.

Pocha nunca demonstrou comportamentos que pudessem ser interpretados como correção ou limite. Observar a interação com as outras elefantes trouxe um aprendizado importante para Guille — possivelmente desafiador do ponto de vista emocional. A forma como ela se comportava com a mãe não era adequada, e não correspondia à maneira como as outras demonstravam afeto e convivência.

Com o tempo ao lado das outras meninas, percebemos uma mudança na forma como Guille interagia com a mãe. Ela começou a entender o que significa fazer parte de uma manada e colocar os outros em primeiro lugar — algo com o qual nunca havia tido contato antes.

Guille também precisou aprender que sua energia jovem e expansiva nem sempre era a abordagem mais adequada — embora hoje seja mais bem recebida pelas mais velhas do que no início.

Felizmente, ela contou com Maia e Bambi como guias nesse novo contexto de manada. Bambi assumiu um papel mais tolerante, como uma tia que aceita bastante coisa, mas deixa claro quando um limite é ultrapassado. Já Maia foi mais firme, mostrando a Guille que certas atitudes simplesmente não são aceitáveis.

Guillermina ainda tem seus momentos com as “avós”, quando nem sempre está totalmente sintonizada com o clima do dia, mas hoje é mais intuitiva e demonstra mais interesse em se conectar com suas companheiras do que nunca.

guille, histórico

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O SEB

O Santuário de Elefantes Brasil (SEB) é uma organização sem fins lucrativos que ajuda a transformar as vidas e o futuro dos elefantes cativos da América do Sul, devolvendo a eles a liberdade de poder ser quem querem e merecem ser – elefantes.

 

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Algumas elefantas adoram palmeiras, enquanto outra Algumas elefantas adoram palmeiras, enquanto outras não são tão fãs assim. Bambi, por exemplo, gosta delas em qualquer fase de crescimento. Só não fica muito feliz quando Guille resolve dividir alguns bocados, já que também adora esse petisco. Maia prefere esperar até que as folhas estejam um pouco mais secas e crocantes. Cada uma tem seu gosto particular. Baby parece estar bem no meio desse espectro: come palmeiras de vez em quando, mas o que realmente tem gostado de fazer é atravessá-las e quebrá-las pelo caminho. Para os tratadores, isso acaba sendo uma ótima pista para saber exatamente por onde ela andou nas áreas mais arborizadas do habitat.

Além disso, temos encontrado cada vez mais árvores com pequenos galhos quebrados nas partes mais distantes dos recintos. Baby é tão curiosa que parece simplesmente passar por dentro ou por cima deles, assim como Guillermina e Pocha fizeram em seus primeiros dias no Santuário.

P.S.: Baby já encontrou algumas árvores que parecem perfeitas para coçar o corpo. Ela ainda não escolheu uma favorita, mas está experimentando várias delas enquanto ajuda a remover a pele morta. Este vídeo mostra muito bem Baby aproveitando uma boa coçada.
O dia 12 de agosto marca o Dia Mundial do Elefante O dia 12 de agosto marca o Dia Mundial do Elefante — uma data que celebra esses animais incríveis e reforça a urgência de protegê-los. Aqui no Santuário de Elefantes Brasil, essa missão é real todos os dias.

Além disso, o mês de agosto foi dedicado à conscientização sobre o elefante asiático por meio da iniciativa do programa SAFE (Saving Animals From Extinction), lançado em 2020. A campanha tem como
objetivo ampliar a visibilidade das ameaças enfrentadas por essa espécie e incentivar ações concretas de conservação.

Restam entre 20 e 35 mil elefantes asiáticos na natureza, espalhados por 13 países da Ásia. Classificados como espécie em perigo pela IUCN, sua população declinou mais de 50% nas últimas três gerações. A perda de habitat — impulsionada por desmatamento e expansão agrícola — é a maior ameaça, seguida pela caça furtiva e pelo comércio ilegal de vida selvagem.

Então, nesse Mês da Conscientização sobre o Elefante Asiático, convidamos você a fazer parte dessa história. Desenvolvemos uma estampa exclusiva e lançamos nosso moletom edição limitada. Criamos também uma campanha de arrecadação específica, onde fazendo uma doação simbólica, você garante recursos para o cuidado, a alimentação e o manejo especializado dos nossos elefantes. Cada presente é um gesto de carinho que se transforma em vida. Link nos stories e na bio!
Se você já se perguntou o que Bambi e Guille fazem Se você já se perguntou o que Bambi e Guille fazem quando Maia está em um daqueles cochilos mais demorados, talvez imagine que elas aproveitem para pastar e passear pelo habitat. E, na maior parte do tempo, é exatamente isso que acontece. Mas, nesta manhã, depois do café, enquanto Maia descansava tranquilamente na lagoa, Bambi decidiu convidar Guille para uma brincadeira.

No início do vídeo, Bambi está à direita, com a parte traseira voltada para a câmera. (Você pode identificar Guille pela cauda longa e bem peluda.) Em um gesto brincalhão, Bambi apoia a tromba sobre as costas de Guille. Guille parece não estar muito animada para uma disputa naquele momento, mas também demonstra querer permanecer por perto. Pouco depois, Bambi estica a tromba para tocar delicadamente o rosto de Guille, chegando até a colocá-la dentro de sua boca.

Depois de alguns minutos, Guille parece entrar na brincadeira e começa a recuar em direção ao rosto de Bambi — quase como uma criança provocando um irmão mais velho. Bambi volta a apoiar a tromba sobre as costas de Guille e a mantém ali enquanto Guille continua dando pequenos passos para trás.

Foi uma interação divertida e muito carinhosa. Guille parece perceber exatamente até onde pode ir na brincadeira, participando na medida certa para que Bambi pudesse gastar um pouco de energia. A dinâmica entre essas três elefantas é muito especial. As amizades que construíram têm muitas camadas e deixam claro o quanto elas se importam umas com as outras.
No Sorriso de Domingo desta semana, Baby nos mostr No Sorriso de Domingo desta semana, Baby nos mostra mais uma vez o quanto adora terra. Desde o seu primeiro dia no Santuário, ela deixou claro que esse é um dos seus elementos favoritos. Seja jogando terra sobre o próprio corpo, deitando sobre ela ou rolando de um lado para o outro, Baby parece aproveitar cada segundo da sensação da terra macia.

De tempos em tempos, renovamos os montes de terra dentro do galpão para que ela possa se deitar, se esfregar e conseguir a esfoliação natural de que sua pele tanto precisa. E, como vocês podem ver, ela já está adquirindo aquele característico tom avermelhado da terra do Santuário.

Como Baby parece realmente gostar de se cobrir de terra, criamos também alguns novos montes do lado de fora do galpão. Assim, ela pode escolher onde quer tomar seu banho de terra, descansar, tirar um cochilo ou simplesmente se apoiar. Sempre que necessário, renovamos esses montes com o auxílio da retroescavadeira, mantendo Baby em outro recinto durante o trabalho, para garantir sua segurança.

Até agora, ela tem aproveitado os montes externos tanto quanto os que ficam dentro do galpão. E é muito bonito vê-la deitada ali, completamente à vontade, mostrando que está cada vez mais confortável para relaxar e se sentir segura em seu novo lar.
Com a chegada de Baby, a 2ª moradora mais jovem do Com a chegada de Baby, a 2ª moradora mais jovem do SEB, recebemos perguntas sobre a possibilidade de ela ter um filhote no futuro e se as elefantas do Santuário ainda seriam capazes de se reproduzir. Entendemos essa curiosidade e sabemos que a ideia de ver as elefantas se tornando mães pode parecer encantadora. Mas acreditamos que é importante explicar por que elas nunca serão colocadas para reprodução.

A gestação de um filhote de elefante dura cerca de 22 meses — a mais longa entre todos os mamíferos. A exigência física é enorme, mesmo para uma elefanta jovem e saudável.

Na natureza, a primeira gestação costuma ocorrer entre os 14 e 15 anos nas elefantas africanas e um pouco mais tarde nas asiáticas. A capacidade reprodutiva diminui gradualmente com a idade e, no Santuário, a maioria das elefantas é geriátrica, com mais de 49 anos. Assim, com exceção de Baby e Guille, nenhuma delas está em faixa etária adequada para levar uma gestação até o fim.

Além da idade, existe um fator ainda mais importante. As marcas físicas e emocionais deixadas por décadas de cativeiro vão muito além do que podemos compreender. O maior presente que podemos oferecer é a oportunidade de se recuperar física e emocionalmente. Submetê-las à reprodução ou a uma gestação de 22 meses não seria apropriado para sua idade, condição física e nem faz parte da filosofia do Santuário. Além disso, a Global Federation of Animal Sanctuaries (GFAS), organização responsável por nossa acreditação, estabelece que verdadeiros santuários não realizam reprodução intencional de animais.

Embora tenhamos o privilégio de acompanhar diariamente a recuperação dessas elefantas, o Santuário ainda é uma forma de cativeiro. É, sem dúvida, o melhor que o cativeiro pode oferecer, mas a conservação da espécie precisa acontecer em seu habitat natural. Trazer novos filhotes para viver em um santuário não lhes proporcionaria a vida que merecem.

Nosso compromisso é oferecer a esses elefantes a oportunidade de viver o restante de suas vidas voltados para si mesmos, para sua recuperação e para os laços que constroem uns com os outros. É a isso que continuaremos dedicando todos os nossos dias.
A equipe de tratadores de Baby percebeu algo inter A equipe de tratadores de Baby percebeu algo interessante hoje: ela apareceu no galpão com lama argilosa do lago espalhada pelas patas e pelo rosto. É fácil saber que essa lama veio do lago, porque, neste momento, a margem ainda está acinzentada, e não com o tom avermelhado típico dos outros lagos do Santuário. Conforme Baby for entrando na água e misturando a terra ao fundo do lago, a argila vai se depositar e a camada superficial passará a adquirir a coloração avermelhada característica.

Tudo indica que Baby pode ter entrado um pouquinho no lago — mesmo que só até uma pequena profundidade — e se borrifado com água. Ainda não conseguimos vê-la fazendo isso, nem pessoalmente nem pelas câmeras de monitoramento, mas os sinais mostram que ela continua, com coragem, ampliando seus horizontes e explorando novas experiências.

P.S.: Para quem está curioso, Baby tinha uma 'piscina' em seu recinto no parque de diversões, mas quase nunca a utilizava. Agora, à medida que dá pequenos passos nessa nova vida no Santuário, talvez ela esteja redescobrindo atividades que antes não despertavam seu interesse.
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