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Resultados Preliminares Pupy & Kenya

By seb | Uncategorized | 0 comment | 19 dezembro, 2025 | 5

Queremos expressar, com toda a profundidade, nossa tristeza pelas mortes das elefantas africanas Pupy e Kenya. Parte do que buscamos é criar um sentimento de conexão entre vocês e as elefantas, mas isso às vezes significa compartilhar momentos difíceis — não apenas os felizes. Sabemos que muitos de vocês apoiam o santuário, compreendem o impacto devastador do cativeiro e reconhecem que as elefantas do Santuário de Elefantes Brasil recebem um nível de cuidado veterinário que não é oferecido em nenhum outro lugar da América do Sul.

Também sabemos que há pessoas que ainda não nos conhecem tão bem e que têm dúvidas. Além disso, existem aquelas que parecem celebrar a morte de elefantes que viviam em santuários, pois isso lhes dá a oportunidade de criar ou reforçar campanhas de propaganda contra a instituição do santuário e contra todos que trabalham para fortalecê-la. Diante disso, vamos fazer algo que geralmente não fazemos: compartilhar informações preliminares das necropsias de Pupy e Kenya.

As necropsias, por sua própria natureza, levam meses para serem concluídas, devido ao tempo necessário para o estudo de amostras e culturas. Por esse motivo, ainda há dois exames pendentes da necropsia de Pupy. O tempo também será um fator no caso dos resultados de Kenya, já que o laboratório universitário responsável pelos exames entrou em recesso e não analisará suas amostras até janeiro (elas estão devidamente preservadas até lá).

Embora já tenhamos compartilhado que as duas mortes não parecem estar relacionadas, algumas pessoas ainda expressam dúvidas. Como nosso objetivo é ser transparentes, frequentemente compartilhamos muito mais informações do que um zoológico ou mesmo outro santuário compartilharia — e, neste caso, sentimos esse peso de expectativa mais do que nunca.

A necropsia de Pupy revelou que cerca de 30 a 40% de seus pulmões estavam infiltrados por uma espécie de ameba que causou abscessos e pneumonia. O patologista afirmou que é incomum uma ameba afetar os pulmões; portanto, quando isso ocorre, quase sempre estamos diante de um organismo imunocomprometido. Essa mesma ameba também foi encontrada em seus intestinos e acredita-se que tenha se disseminado para os pulmões por meio de embolização. Além disso, junto à ameba presente nos intestinos, houve uma infiltração de protozoários por todo o sistema digestivo, causando uma gastrite severa.

As amostras fecais de Pupy haviam sido analisadas e enviadas para dois laboratórios diferentes antes de sua morte, sempre com resultados normais. Outros exames também foram realizados, sem que jamais se chegasse a um diagnóstico para o que ela estava enfrentando.

A necropsia de Kenya foi muito diferente. Seu corpo apresentava um quadro clássico dos impactos do cativeiro. Por meio de radiografias, ficou imediatamente evidente que ela sofria de osteomielite severa, com a ausência do último dígito em grande parte de seus dedos, além da perda do segundo dígito do dedo externo de suas patas dianteiras. O cotovelo que vinha causando desconforto e apresentava sinais claros de mau funcionamento mostrou evidências de degradação articular crônica, com líquido sinovial anormal, que ainda será analisado.

Havia nódulos, úlceras, um grande cisto e outros problemas envolvendo diferentes órgãos da cavidade abdominal. No entanto, a questão mais significativa estava em seus pulmões, que, segundo o patologista — avaliação reforçada por imagens analisadas por um veterinário especializado em grandes animais — indicavam alta probabilidade de tuberculose. A doença estava em estágio avançado, com infiltrações granulares em ambos os pulmões, além de colapso alveolar. Todos os achados macroscópicos de relevância médica eram crônicos, o que indica que se tratava de uma condição presente antes de sua chegada ao Brasil.

Durante o período de Kenya conosco, além de exames fecais e de urina (ambos normais), realizamos dois painéis extensos de exames de sangue. O primeiro já mostrou melhora em relação às amostras coletadas em Mendoza, e o segundo — feito na semana em que ela faleceu — apresentou novas melhorias em relação ao primeiro. Ambos, porém, estavam muito bons para uma elefanta de sua idade e não condiziam com o estado físico interno que a necropsia revelou.

Ambas as elefantas já chegaram ao santuário com comprometimentos importantes. Pupy e Kuky (que faleceu antes de ser transferida para o santuário), aparentavam ter muitos anos a mais do que sua idade real quando as conhecemos. Elas precisavam alternar o tempo fora do recinto com Mara, que em determinado momento dividiu espaço com elas, o que apenas agravou sua obesidade mórbida. As fasciculações na tromba de Pupy e os espasmos nos olhos indicavam possíveis questões mais profundas.

Kenya conviveu por décadas com diarreia crônica, além de uma dieta inadequada, infecções crônicas nos dentes (presas) e ausência de cuidados médicos — até que passamos a contar com treinadores e tratadores para cuidar dela. Essa era a realidade delas antes do santuário. As elefantas de Buenos Aires passaram a receber um cuidado muito bom por parte de tratadores dedicados e amorosos após a substituição da antiga equipe. Essas pessoas fizeram o melhor que puderam, e somos gratos por isso, mas nenhum esforço seria capaz de reverter décadas de danos e o impacto de um recinto que, embora historicamente bonito, era completamente inadequado para elefantes.

Sabemos que, ao ouvir a palavra “tuberculose” associada a Kenya, surgem preocupações sobre uma possível exposição de Pupy. Até o momento, as amostras de Pupy testaram negativo para tuberculose. A cultura ainda é um dos exames pendentes, mas outros dois testes já foram concluídos, ambos com resultado negativo para TB. Não temos tratadores que transitem entre os habitats das elefantas asiáticas e africanas, e não há nenhum ponto de contato entre esses habitats, portanto não há motivo para preocupação quanto à transmissão entre espécies.

Como a tuberculose ainda existe em humanos tanto na Argentina quanto no Brasil, toda a nossa equipe — incluindo funcionários da manutenção e da cozinha — já foi testada no passado. Tratadores e treinadores contratados que tenham qualquer contato com elefantes são obrigados a realizar testes a cada seis meses. Inicialmente, a equipe de patologia acreditava que Pupy pudesse estar enfrentando algo de origem viral, e por isso protocolos rigorosos de quarentena foram implementados. Embora esse não tenha sido o caso de Pupy (razão pela qual normalmente não compartilhamos resultados preliminares), a quarentena foi mantida, pois ainda não havia um laudo final.

De acordo com o comunicado divulgado pelo Ecoparque Mendoza a partir da necropsia de Tamy (que faleceu antes da transferência de Kenya), não foi identificada tuberculose em suas amostras. Guillermina, outra ex-residente de Mendoza, foi testada após o falecimento de sua mãe, Pocha, e apresentou resultado negativo tanto para TB latente quanto ativa. Pensando na saúde geral e na continuidade de um cuidado veterinário rigoroso, Guille continuará sendo testada conforme o protocolo recomendado e adotado pela Associação Zoológica.

Devido à natureza médica, sensível e técnica das questões que podem surgir, não responderemos a perguntas deixadas nos comentários. É difícil saber que existem indivíduos e grupos tão contrários ao movimento dos santuários que podem retirar nossas palavras de contexto ou tentar distorcê-las. Esperamos que o compartilhamento dessas informações ajude, ao menos, a encerrar as especulações de que as duas mortes estejam relacionadas entre si ou a uma suposta falta de cuidados adequados.

Não temos qualquer motivo para evitar esses resultados, pois nosso objetivo sempre foi oferecer às elefantas as melhores vidas possíveis. Quanto mais dados temos em mãos, melhor conseguimos aprimorar continuamente nossos cuidados e oferecer a elas a liberdade de se reconectarem consigo mesmas — algo que talvez nunca tivessem a oportunidade de vivenciar de outra forma.

Kenya, Pupy

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O Santuário de Elefantes Brasil (SEB) é uma organização sem fins lucrativos que ajuda a transformar as vidas e o futuro dos elefantes cativos da América do Sul, devolvendo a eles a liberdade de poder ser quem querem e merecem ser – elefantes.

 

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Santuário de Elefantes Brasil

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Como você pode ter notado nos vídeos da Rana e d Como você pode ter notado nos vídeos da Rana e da Mara, as elefantas têm buscado um lugar que todas apreciam: o lago. Há um em cada um dos recintos maiores, então, independentemente de como as meninas estejam distribuídas, todas têm a possibilidade de dar um mergulho.

Enquanto trabalhavam perto ao Recinto 4, os tratadores viram a cabeça de uma elefanta emergindo debaixo d’água e logo perceberam que era Guille, que estava relaxando no lago. Quase imediatamente, notaram que a Maia estava escondida logo atrás — e também curtia sua própria festa aquática. Alguns minutos depois, Bambi decidiu se juntar a elas, e as três aproveitaram para se refrescar juntas.

Rapidamente, o lado brincalhão da Bambi começou a aparecer, e ela iniciou uma pequena “luta de trombas” com a Guille. Isso durou alguns instantes, até que Guille pareceu perder o interesse. Mas a brincadeira da caçula logo voltou à tona quando virou o corpo e tentou se sentar sobre  Maia. Ela se empenhou bastante, mas Maia permaneceu totalmente indiferente, o que pareceu tirar um pouco da graça para Guille, que acabou desistindo. As duas continuaram se empurrando suavemente, se afastando enquanto flutuavam e depois se aproximando novamente.

Em seguida, Guille e Bambi saíram do lago, enquanto a Maia permaneceu. Bambi ainda parecia disposta a brincar, então colocou a tromba sobre as costas da Guille, o que fez com que ela se posicionasse mais perto, usando a tromba da amiga como um tipo de coçador. Guille começou a recuar em direção à Bambi com bastante entusiasmo e, embora na maioria das vezes Bambi se afastasse de uma situação assim, dessa vez ela parecia mais atrevida e entrou na brincadeira de um jeito que normalmente esperaríamos da Maia.

Guille nunca empurra Bambi com força demais; ela parece conhecer bem os limites da amiga e não os ultrapassa. Por sua vez, Bambi continuou jogando a tromba sobre as costas de Guille, parecendo mais brincalhona que o habitual. Por fim, Maia saiu do lago e Guille caminhou rapidamente em sua direção. Depois desse mergulho animado, a tarde seguiu de forma bem tranquila — pelo menos pelo que conseguimos ver. Nunca se sabe o que as meninas aprontam quando não estamos por perto!
Antes que você se preocupe com a Maia, saiba que Antes que você se preocupe com a Maia, saiba que ela não está doente e está completamente relaxada aqui! Ela é conhecida por ser bem dorminhoca e, na maior parte do dia, escolhe tirar seus cochilos em pé. De vez em quando, porém, decide se deitar completamente — algo que muitos elefantes costumam fazer mais no período da noite, embora a Maia fizesse isso com frequência alguns meses depois de sua chegada ao santuário.

Em uma tarde recente, começou a chover, e os tratadores viram a Maia simplesmente se jogar em um monte de terra que logo viraria lama, pronta para sua soneca da tarde. Bambi, em um gesto que quase sempre indica carinho e proteção, permaneceu em pé sobre ela por um tempo. Isso é algo que Maia e Guida costumavam fazer ocasionalmente, e a Maia também já tentou ficar em pé sobre a Guille no lago em outras ocasiões.

Maia não é o tipo de elefante que precisa de alguém fazendo o papel de guarda-costas, mas a Bambi tem uma alma sensível, e seus vínculos com os amigos são fundamentais para seu bem-estar. Em alguns momentos, parecia até que a Bambi quase queria se sentar sobre a Maia — formando uma cena absolutamente encantadora.
Dizem que barriga cheia dá sono — algo com que Dizem que barriga cheia dá sono — algo com que Maia e Guillermina parecem concordar plenamente, especialmente depois do café da manhã. As duas são conhecidas por tirar cochilos rápidos em pé no fim da manhã. A Bambi nem sempre segue as mesmas tradições sonolentas pós-refeição de suas companheiras, mas, como você pode ver no Sorriso de Domingo desta semana, às vezes ela também sente vontade de dar uma dormidinha.

Quanto mais tempo observamos seu rostinho, mais pesadas parecem ficar suas pálpebras — e isso é simplesmente encantador. Ela pôde aproveitar um momento de descanso à sombra com suas duas queridas amigas antes de passar a tarde no lago.
Pode ser incrivelmente tranquilo estar perto de um Pode ser incrivelmente tranquilo estar perto de um elefante enquanto ele pasta. Seja caminhando suavemente ou parado em um mesmo lugar, o clima quase sempre é de calma, e tudo parece em harmonia. Ouvem-se os sons da grama sendo arrancada do chão ou rasgada em tufos que, junto ao ritmo da mastigação e ao bater das orelhas, criam uma sensação quase hipnótica.

Neste vídeo, Maia dá uma mordida especialmente grande na grama, arrancando um tufo inteiro pela raiz. Não é tão comum ver um elefante aqui arrancar a grama dessa forma, já que eles nem sempre gostam de comer raízes sujas e cheias de terra. Em geral, preferem a parte verde e macia, e deixar a raiz no chão elimina uma etapa extra antes de saborear uma boa bocada. A Maia, no entanto, parece não se importar nem um pouco: ela sacode o tufo, batendo-o no chão e contra a própria pata para remover o excesso de terra e se livrar das partes indesejadas.

No fim das contas, Maia é uma verdadeira especialista em todas as formas de lanche — seja grama, feno ou alimentos frescos. Ela costuma comer tudo o que é colocado à sua frente, raramente deixando um único pedacinho para trás.
Cada elefante que chega ao Santuário de Elefantes Cada elefante que chega ao Santuário de Elefantes Brasil carrega uma história marcada por perdas, negligência e traumas profundos. A trajetória da Bambi é um exemplo claro disso. Antes de chegar ao santuário, ela passou por diferentes instituições, após ser resgatada de um circo por negligência e maus-tratos. Ao longo dos anos, enfrentou isolamento, estresse constante e a ausência quase total de registros médicos ou de cuidados adequados com as patas e a saúde em geral.

Quando reencontramos a Bambi anos depois, ela estava retraída, apresentava comportamentos de estresse repetitivos, parecia insegura em suas relações e chegou ao santuário extremamente abaixo do peso. Além disso, já apresentava catarata no olho esquerdo e sinais iniciais no olho direito — uma condição que, com o tempo, avançou e hoje compromete significativamente sua visão. As causas podem ser diversas: idade, exposição prolongada ao sol, deficiências nutricionais, infecções antigas ou traumas. Nunca saberemos ao certo. O que sabemos é que essa perda visual traz inseguranças reais para ela.

No santuário, Bambi encontrou algo que nunca havia tido de forma plena: escolha. Escolha sobre onde estar, com quem se relacionar e em que ritmo viver. Com uma alimentação adequada, cuidados contínuos, treinamento por reforço positivo e respeito aos seus limites, ela começou a se fortalecer física e emocionalmente. Suas patas melhoraram de forma significativa, sua pele se transformou e seu corpo voltou a responder com vitalidade.

Os vínculos também foram essenciais nesse processo. A amizade com a Mara teve um papel importante no início de sua adaptação, e hoje Maia e Guille são presenças constantes, oferecendo segurança, estabilidade e companhia. Mesmo com a visão limitada, Bambi conhece o território, se orienta com confiança e segue tomando decisões sobre sua própria vida.

A vida em santuário não apaga o passado. Mas oferece algo fundamental para a cura: dignidade, respeito e a liberdade de ser quem se é, no próprio tempo.

Leia a versão estendida do texto no Facebook ou em nosso blog. O link está nos stories e na bio.

#QuintaQueQuebra #seb #santuariodeelefantes #elefantes
Era o início da tarde, e todas as elefantas estav Era o início da tarde, e todas as elefantas estavam no processo de digestão do café da manhã e tirando cochilos em pé — ou fazendo as duas coisas ao mesmo tempo. Alguns tratadores estavam próximos ao galpão limpando os recintos quando começou a chover com bastante intensidade. Do galpão, é possível ver o lago no Recinto 5 e, logo ao lado, um enorme monte de terra que a equipe havia recentemente afofado para as meninas.

Aqui, vemos que uma Mara completamente encharcada decidiu se deitar e se acomodar naquele monte de terra que, em poucos instantes, viraria lama. Rana permanece ao lado dela em uma postura levemente protetora, mas com um comportamento tranquilo, parecendo mais interessada em amassar a lama com a tromba. Mara se movimenta para ficar ainda mais “molezinha” e joga pequenas porções de terra para o alto com a tromba. Em determinado momento, ela se apoia nos cotovelos, fazendo com que a barriga deslize pela lama, antes de se sentar quase completamente sobre o próprio corpo.

Rana, por sua vez, passa a maior parte do tempo em pé, brincando no monte de terra, mas, assim que Mara fica totalmente de pé, Rana decide arrastar o traseiro e esfregá-lo no rosto e no corpo da amiga. Foi um momento muito bobo e divertido — daqueles que os dias de chuva costumam despertar aqui no santuário.
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